Projeto Territórios Afro-Candangos leva oficinas e seminários gratuitos para terreiros do DF
- flavioresende

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No mês em que é celebrado o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa, o Instituto Rosas dos Ventos, por meio do Territórios Afro-Candangos, reforça a luta contra o racismo religioso, com iniciativa dedicada à valorização dos terreiros, dos saberes tradicionais e das expressões culturais afro-brasileiras. Ao longo de mais de seis meses, o projeto oferece uma série de oficinas e seminários gratuitos, percorrendo 23 territórios e reafirmando a presença histórica e contemporânea das culturas afro-brasileiras na construção da capital.
Mais do que locais de prática espiritual, os terreiros são apresentados pelo projeto como universidades de saberes, educação, organização comunitária e manutenção da memória ancestral. São espaços onde o conhecimento é compartilhado pela oralidade, pelo corpo, pelo rito e pelo cotidiano, sustentando vínculos comunitários e modos de vida que atravessam gerações.

O Territórios Afro-Candangos fortalece a visibilidade dessas práticas e saberes e amplia o diálogo entre tradição, cultura e contemporaneidade. As inscrições para participar das oficinas devem ser feitas pelo formulário eletrônico, no qual também há mais detalhes de datas, horários e terreiros contemplados pela iniciativa.
Guardiãs
A luta feminina orienta simbolicamente o horizonte do projeto, abordada de forma poética e sensível. Mulheres aparecem como guardiãs da ancestralidade, do cuidado e da transmissão dos saberes, sustentando a vida comunitária e cultural a partir da escuta, do acolhimento e da continuidade. Essa perspectiva se manifesta nas oficinas e nas narrativas construídas ao longo do projeto, sem recorrer a discursos de confronto, mas afirmando a força da permanência, da memória e do afeto.

A Ekeji Virginia da Rosa, do Ile Asé Orisá D’Ewy, em Sobradinho 2, vai ministrar a oficina de Direitos Humanos para Povos Tradicionais de Matrizes Africanas e de Terreiro, tema que é fundamental para o fortalecimento da cidadania, da autonomia comunitária e da luta contra o racismo religioso.
"Temos que ter mais consciência dos nossos direitos, sejam individuais ou coletivos. Temos que identificar as situações de violação e discriminação, de abusos e outras violências e saber agir, apesar da dor, das dores. É a forma, a ferramenta para romper ciclos históricos de silenciamento e invisibilidade", reforça Virginia, que aponta que ações de formação em Direitos Humanos qualificam lideranças e comunidades para dialogar com o poder público, acessar políticas e defender juridicamente territórios e práticas religiosas. Rosa é especialista em Segurança Pública e Cidadania; fundadora do Coletivo Mulheres de Axé do Distrito Federal e Entorno; e produtora e agente cultural.

Impacto social
Mãe Cícera de Oxum avalia o Territórios Afro-Candangos como um projeto fundamental para o fortalecimento da comunidade afro-religiosa de Brasília e do Entorno. Como liderança de Umbanda — à frente do Templo Espiritual Rosa Branca —, ela reconhece a necessidade de iniciativas como essa dentro das casas. Segundo a sacerdotisa, essas ações contribuem diretamente para a manutenção do conhecimento, da educação, da dignidade e da identidade das populações de terreiro, ao mesmo tempo em que acolhem crianças e jovens de comunidades locais.
“Nos terreiros, para além dos saberes ancestrais, como as danças, a musicalidade, os cuidados com a saúde do corpo e do espírito e a culinária, procuramos manter esses conhecimentos vivos, respeitando o regionalismo e garantindo sua transmissão às próximas gerações. Assim, quando um território é fortalecido, as pessoas são acolhidas, os vínculos são criados e a nossa história continua viva", assinala Cícera, que vai ministrar oficinas de capoeira para crianças dentro do projeto.
Leonardo Feijão, assessor de comunicação do Instituto Rosa dos Ventos, destaca a homenagem póstuma feita a Paulo Ataíde, artista plástico cuja obra inspirou a identidade visual do projeto, que traz a imagem de todos os Orixás em posição de reverência. “Mestre Ataíde, como gostava de ser chamado, deixou uma série de imagens que foram utilizadas na criação da identidade visual do Afro-Candangos. Dessa forma, o projeto foi presenteado com o talento desse artista e, em forma de ‘GRATIDÃO’, realiza ações que sempre estiveram no foco das aspirações de Ataíde enquanto ser humano”, diz Feijão ao lembrar da obra “GRATIDÃO”, na qual o mestre representa as deidades afro-brasileiras com utilização de formas geométricas e inspiração na arquitetura de Brasília.
Stéffanie Oliveira, presidente do instituto e responsável pelo projeto, aposta nos terreiros do DF como espaços de transformações sociais. “É fundamental ressaltarmos que a valorização desses territórios vai muito além do aspecto religioso. Esses espaços sagrados – que já geram impactos sociais importantes nas suas comunidades – têm potencial de provocar transformações ainda maiores, revelando-se um espaço importante de aprendizado para toda a sociedade”, sublinha Stéffanie.
Confira as oficinas e seminários oferecidas pelo projeto Territórios Afro-Candangos:
EXPRESSÃO CORPORAL E MUSICAL AFRO-BRASILEIRA: DANÇA AFRO – PAI JHONATHAN | ATÉ 02-05-2026
OFICINA DE SABORES E SABERES ANCESTRAIS – PAI PERDONO | ATÉ 18-01-2026
OFICINA DE BATUQUE ANCESTRAL: MARACATU E TUMARACÁ – PAI ÁLVARO | 21-02-2026 a 22-03-2026
OFICINA DE CONFECÇÃO SHEKERE: O SOM DA ANCESTRALIDADE – RICAULE | 17-01-2026 a 07-03-2026
FOLHAS ANCESTRAIS: CONHECIMENTO E CURA – PAI PEDRO | 24-01-2026 a 28-02-2026
SEMINÁRIO: COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA – MÃE BAIANA | 24-01-2026 a 24-01-2026
RODA DE SABERES: A ARTE DA CAPOEIRA – PAI JACI | 31-01-2026 a 07-03-2026
OFICINA DE RODAS DE SABERES: A ARTE DA SAMBADEIRA DE RODA – MÃE DIANGALA | 21-02-2026 a 11-04-2026
OFICINA DE FORÇA E LIBERDADE: CAPOEIRA – PAI OLIMPIO | 01-03-2026 a 26-04-2026
OFICINA DE RITMOS DA LIBERDADE: A PERCUSSÃO DO ATABAQUE – PAI NGUNZENTALA | 07-02-2026 a 11-04-2026
SEMINÁRIO CAMINHOS PLURAIS – PAI JORGE | 14-02-2026 a 14-02-2026
OFICINA OS ANCESTRAIS DO FUTURO – MÃE THANISIA | ATÉ 11-04-2026
OFICINA DO ENTARDECER DOS OJAS – PAI JOEL | ATÉ 09-05-2026
OFICINA DE DIREITOS HUMANOS NAS COMUNIDADES DE MATRIZES AFRICANAS – MÃE CRISTINE | ATÉ 07-02-2026
SEMINÁRIO QUILOMBO ENQUANTO ESPAÇO DE FORMAÇÃO DA CIDADANIA – PAI KANAMBURA | ATÉ 09-05-2026
OFICINA DE SABONETES ANCESTRAIS – MÃE MAVANJU | 07-02-2026 a 14-03-2026
OFICINA DE TRANÇAS DA ANCESTRALIDADE – PAI VEBER | 18-01-2026 a 23-05-2026
OFICINA TERREIRO SUSTENTÁVEL: CAMINHOS PARA A AUTONOMIA – PAI LUAZI | ATÉ 05-02-2026
RODA DE CONVERSA YABAS EM LUTA: DEFESA, DIREITOS E RESISTÊNCIA – MÃE SIDARTHA | 01-02-2026 a 21-02-2026
NGOMA: MULTIPLICADORES SOCIAIS (ANGOLA PARA CRIANÇAS) – MAKOTA KYESIMANZAMBI | 24-01-2026 a 01-02-2026
OFICINA PAPO DE TERREIRO – MÃE CARMINDA | ATÉ 28-02-2026
OFICINA CAPOEIRA PARA CRIANÇAS – MÃE CÍCERA | 19-04-2026 a 25-04-2026
SERVIÇO:
Territórios Afro-Candangos
Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd_XeSt_Pwuic3WUbUbg2jkmvC9gXi5W-4A--vw_qqYjXEH5A/viewform
Gratuito










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