Chamamento público convoca o Hip-Hop brasileiro para transformar sobrevivência em literatura
- flavioresende

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O Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no país. Diante dessa epidemia de violência de gênero, o Instituto Periferia Livre em parceria com o Instituto transforma, Núcleo de Estudos, Organização e Difusão do Conhecimento em Literatura Marginal - NEOLIM e a Frente Nacional de Mulheres no Hip- Hop DF torna público o chamamento para seleção de poesias inéditas que irão compor o livro “HIP-HOP pelo Fim do Feminicídio”, com circulação em âmbito nacional. A coletânea tem como objetivo reunir produções artísticas que dialoguem com as estéticas, linguagens e potências do Hip-Hop como ferramenta de denúncia, resistência e enfrentamento às violências de gênero, especialmente ao feminicídio.
As inscrições terão início no Dia Internacional da Mulher, 08 de março e seguem até 23 do mesmo mês, convocando hip hopers de todo o país para ocuparem as páginas com poesias inéditas que utilizem a estética do Hip-Hop como ferramenta de denúncia e resistência à violência de gênero.
Para Ravena Carmo, pesquisadora, ativista e uma das idealizadoras do chamamento público, os dados da violência de gênero no Brasil são o reflexo de uma falha sistêmica, fruto de uma questão cultural. Nesse contexto, a arte surge como um instrumento capaz de reescrever caminhos e traçar novas rotas."Os números são alarmantes e mostram que a omissão do Estado é real – apesar dos esforços que vêm sendo empreendidos para tentar mudar esse quadro, em contrapartida a nossa arte é o que impede que sejamos apenas estatística. Escrever é retomar o controle de uma narrativa que tentaram encerrar à força", afirma Ravena.
Seleção e Lançamento
Serão selecionadas 50 poesias para compor o livro, que será lançado no próximo dia 30 de maio de 2026, durante a 3ª edição do Festival Quebradas, em Planaltina DF.
Hip-Hop como Tecnologia de Cura em Planaltina/DF
Enquanto o chamamento busca mobilizar o país, o projeto Conexões de Quebrada foca no território de Planaltina/DF, oferecendo oficinas gratuitas que utilizam o Rap, o Graffiti, Discotecagem, Breaking e a Escrita Criativa como ferramentas de saúde mental.
Com acessibilidade em Libras, as atividades buscam acolher mulheres e jovens da periferia, transformando o "quinto elemento" do Hip-Hop (a literatura) em estratégia de denúncia e ressignificação de memórias.
Programação:
Local: Planaltina/DF
11/03/2026 CEF 03 Grafiti - Identidade e Pertencimento NAIANA NATI
12/03/2026 CEAM Graffiti - Paredes que falam NAIANA NATI
13/03/2026 GEAMA Graffiti - Identidade e Pertencimento NAIANA NATI
18/03/2026 CEF 03 Breaking - Corpo Livre, Mente Viva ALANA COSTA
19/03/2026 CEAM DJ - Contando histórias através da batida DJ NILMA
25/03/2026 CEF 03 Rap - Hip Hop, Consciência e Respeito ROGER PEIXOTO
30/05/2026 HALF JR 3ª edição do Festival Quebradas
Resumo do Edital
Público-alvo: hip hopers de todas as idades residentes no Brasil
Categorias: Poesia (PDF)
Requisitos: As obras devem ser estritamente inéditas e de autoria própria.
Inteligência Artificial: É proibido o uso de IA em qualquer etapa da criação.
Menores de 18 anos: Devem anexar autorização do responsável legal (PDF).
Premiação: Os selecionados terão suas produções publicadas na edição física do livro com circulação nacional e receberão quatro exemplares gratuitos da obra.
Como participar: O link para realizar a inscrição ficará disponível de 08 a 23/03/2026 no Instagram @institutoperiferialivre
SERVIÇO:
Inscrições: @institutoperiferialivre
Período: 08 a 23/03/2026
Realização:Institutos Transforma e Periferia Livre
Parceria: Secec-DF









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