WWF-Brasil e Copaíba assumem Pacto da Mata Atlântica com meta de destravar restauração em larga escala
- flavioresende

- há 2 dias
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A partir de abril de 2026, WWF-Brasil e Associação Ambientalista Copaíba assumem a coordenação nacional do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. A nova gestão terá duração de três anos e será responsável por conduzir uma das principais articulações de restauração florestal do país em um momento decisivo para a agenda ambiental brasileira.
Criado há mais de 15 anos, o Pacto reúne atualmente mais de 370 organizações — entre organizações da sociedade civil, empresas, governos e instituições de pesquisa — com o objetivo de ampliar a escala, a efetividade e o monitoramento da restauração no bioma. O movimento tem como meta recuperar 15 milhões de hectares de Mata Atlântica até 2050.
A nova coordenação assume em um contexto de crescente pressão sobre o bioma e de maior reconhecimento da restauração como estratégia central para enfrentar a crise climática, a perda de biodiversidade e os desafios relacionados à segurança hídrica e à produção sustentável.
A liderança do Pacto será exercida de forma conjunta por duas organizações com trajetórias complementares na Mata Atlântica. Pelo WWF-Brasil, assume Daniel Venturi, especialista em conservação e restauração, com atuação em políticas públicas, finanças para restauração e iniciativas em escala de paisagem. Pela Associação Ambientalista Copaíba, a vice coordenação será ocupada por Ana Paula Balderi, bióloga e referência em restauração ecológica, com mais de duas décadas de atuação no território, incluindo produção de mudas nativas e mobilização de produtores rurais.
A proposta da nova gestão parte justamente dessa complementaridade: integrar visão estratégica e capacidade de articulação com experiência prática no território, fortalecendo a conexão entre políticas públicas, financiamento e implementação.
Foco em escala, qualidade e governança
Para o período 2026–2029, a nova coordenação propõe aprofundar agendas estruturantes do Pacto, com foco em ampliar a escala, a qualidade e a sustentabilidade das ações de restauração.
Entre as prioridades estão o fortalecimento da incidência em políticas públicas, com ênfase na implementação de estratégias nacionais e estaduais de restauração, como o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg); a ampliação e diversificação de mecanismos financeiros capazes de viabilizar projetos em larga escala; e o fortalecimento das Unidades Regionais, consideradas a base territorial do movimento.
“A gente sabe que restaurar em escala não é só aumentar área — é garantir que isso aconteça com qualidade e continuidade no território. E isso depende de fortalecer quem está implementando e organizando essa agenda localmente”, reforça Ana Paula.
A proposta também prevê avanços na consolidação institucional do Pacto, com foco em governança, previsibilidade de recursos e fortalecimento de suas estruturas técnicas, como grupos de trabalho e forças-tarefa. Outro eixo relevante é o aumento do engajamento com iniciativas e projetos de larga escala, conectando o movimento a programas públicos e privados e ampliando sua capacidade de atrair investimentos qualificados.
Papel estratégico do Pacto
Ao longo de sua trajetória, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica se consolidou como um espaço de articulação multissetorial, capaz de conectar diferentes atores em torno de uma agenda comum. Seu papel vai além da implementação direta de projetos, atuando como plataforma técnica e institucional para geração de conhecimento, influência em políticas públicas e mobilização de recursos.
A nova coordenação busca fortalecer esse papel, posicionando o Pacto como um elo entre estratégias nacionais, iniciativas territoriais e fluxos de financiamento, em um cenário em que a restauração ganha centralidade nas agendas climática e de desenvolvimento.
Segundo Daniel Venturi, “mais do que ampliar áreas restauradas, o desafio do próximo ciclo será garantir que a restauração se consolide como uma agenda estruturante de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos de forma integrada.”









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