Instituto Regenera Hub nasce oficialmente
- flavioresende
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O Instituto Regenera Hub - organização da sociedade civil (OSC) criada a partir da experiência de duas edições do Festival Regenera Brasília - foi finalmente oficializada ontem, dia 6, depois de meses de planejamento e estruturação de novos projetos, que serão implementados a partir deste ano.
Presidido pelo músico e ativista ambiental Alisson Sindeaux, o instituto conta com uma diretoria heterogênea, formada por João Guilherme Melillo (vice-presidente); Cícera Suzana (secretária); Cristian Cantarino (tesouraria); Maria Cleudes Pessoa (Conselho Fiscal); Enza Laine (Conselho Fiscal); Flávio Resende (Conselho Fiscal); e Priscila Coser (Diretoria de Sustentabilidade).

A proposta da OSC é realizar projetos baseados no pilar da regeneração do ser das relações e dos biomas.

Confira nesta entrevista com Alisson Sindeaux, presidente do Instituto Regenera Hub, um pouco do que vem por aí:
Como e quando nasceu a ideia do Regenera Brasília? Houve algum momento ou evento que motivou a criação da plataforma?
O Regenera Brasília nasceu após algumas realizações da feira de produtos holísticos e terapias integrativas - Brasília Holística - que, assim como a plataforma virtual, tinham o objetivo de fortalecer a economia local e aproximar as pessoas dos produtores locais, terapeutas e práticas de autocuidado e autoconhecimento. Contudo, percebemos ao longo do processo que o nome “holístico” acabava atingindo um público muito específico que associa o termo com as terapias e resolvemos ampliar o conceito para “regeneração” englobando a ideia de economia regenerativa, por sentir que é uma causa ainda maior. Atualmente, nosso trabalho está focado na plataforma Regenera Brasília - que se propõe a mapear, conectar e promover o ecossistema regenerativo do DF, ou seja, produtos e serviços voltados para a sustentabilidade da biodiversidade, terapias integrativas e projetos socioambientais e socioculturais. No Festival Regenera Brasília, que este ano foi realizado nos dias 7 e 8 de junho atraindo mais de 500 pessoas nos dois dias de festival, nossa ideia é realizar anualmente em Brasília e outras cidades do Brasil um Festival com programação baseada no conceito da regeneração do ser, das relações e dos biomas. Entre as atividades do evento, destacam-se a apresentação de experiências bem-sucedidas por meio de palestras, rodas de conversa, vivências e oficinas, além de shows com artistas locais, que promovem música medicina e que são conectados com as temáticas propostas pelo festival.
Qual foi a lacuna percebida em Brasília que o Instituo busca preencher?
Buscamos responder a um segmento da sociedade que já compreende e que está despertando para a importância do consumo consciente, assim como a necessidade de uma nova forma de se relacionar com a natureza e com a sociedade, mais harmônica, que busca produtos e serviços de baixo impacto, ou de impacto positivo para a sociedade, o meio ambiente e a saúde integral.
Por que escolher o termo “regenerar”? O que essa palavra significa para o projeto no contexto atual?
Vivemos hoje uma crise planetária, que inclui aspectos climáticos, econômicos e sociais, que tem abalado profundamente as estruturas das relações individuais e coletivas da humanidade.
Neste sentido, o mundo precisa, com urgência, de um novo paradigma de funcionamento social, que chamamos de regeneração.
Trata-se, portanto, de um modelo socioeconômico que visa ir além da sustentabilidade, buscando ativamente restaurar e revitalizar ecossistemas e comunidades, em vez de simplesmente reduzir o impacto negativo. Nos ancoramos e valorizamos as formas de viver dos povos originários e tradicionais, que nos relembram o respeito à natureza, à conservação dos bens naturais (como a água, os seres vivos de todos os biomas) e à diversidade.
Em essência, nada mais é do que um sistema que prioriza a restauração de recursos naturais, a melhoria da saúde social e a criação de valor econômico de forma integrada e mutuamente benéfica.
Como vocês definem “cultura regenerativa” e como ela se diferencia da sustentabilidade tradicional?
A cultura regenerativa é ancorada por oito pilares:
Restauração de ecossistemas:
A cultura regenerativa busca reverter danos ambientais, promovendo a recuperação de ecossistemas degradados e a restauração da biodiversidade.
Bem-estar social:
Além do aspecto ambiental, a cultura regenerativa visa o bem-estar das pessoas, promovendo a justiça social, a equidade e a inclusão.
Economia Circular:
A economia regenerativa se alinha com a economia circular, que busca minimizar o desperdício e manter os recursos em uso pelo maior tempo possível.
Colaboração e aprendizagem:
A regenerativa enfatiza a colaboração entre diferentes atores (empresas, governos, comunidades) e a aprendizagem contínua para promover a inovação e a adaptação.
Valores e princípios:
A economia regenerativa se baseia em valores como justiça, equidade, resiliência e respeito pela natureza.
Negócios regenerativos ou de impacto:
Empresas regenerativas buscam gerar valor para o meio ambiente e a sociedade, além do lucro, adotando práticas que contribuem para a restauração de ecossistemas e o bem-estar social.
Quais são os principais desafios socioambientais e espirituais que Brasília enfrenta hoje — e como a plataforma pretende atuar neles?
Não apenas Brasília, mas o mundo como um todo, tem passado por inúmeros desafios de ordem socioambiental e espiritual. No âmbito espiritual, entendemos que espiritualidade é autoconhecimento e auto responsabilidade. É sobre como nos relacionamentos desde o que pensamos, ao que comemos e a como lhe damos com as pessoas e os desafios da vida, também muito importante que as religiões, que são diferentes manifestações da espiritualidade, se respeitem e que não haja supremacia de uma em relação à outra. A espiritualidade também precisa ser vivida de maneira mais livre e autônoma. No aspecto socioambiental, o desafio maior é fazer as pessoas se entenderem como a própria natureza; como as culturas nativas sempre fizeram; e que a degradação das águas, matas e animais nos afetam diretamente. A crise climática, a desigualdade social e a fome passam a ser, portanto, o maior desafio do século XXI. A ampliação da consciência e a mudança de hábitos, ao nosso ver, são o que trarão as possíveis soluções.
Que tipos de iniciativas vocês consideram como exemplos práticos de ações regenerativas?
Há mudanças simples na forma de enxergar e atuar na vida que refletem diretamente nos impactos à natureza. A separação seletiva e a reciclagem de resíduos sólidos, os mutirões que fazemos de coleta de resíduos em praças ou áreas do lago, encontro para plantio de mudas nativas, assim como consciência em relação ao consumo, o uso de produtos biodegradáveis, energias renováveis e a popularização dos alimentos orgânicos são exemplos concretos de ações regenerativas.
Valorizar as práticas de saúde e medicinas integrativas também representam importantes práticas regenerativas do indivíduo.
Como funciona o mapa interativo e quais critérios são usados para incluir pessoas, projetos e iniciativas?
O mapa se propõe a conectar empresas, profissionais e projetos quem tem este olhar para a responsabilidade socioambiental, consumo consciente, sustentável e regenerativo. Os critérios são as proprias areas de atuação, como Alimentos Orgânicos, Restaurantes Vegetarianos, Construção sustentável, Energias Renováveis, Medicina Interativa e mais. O nosso sonho é ampliar para além do DF, criando uma rede em nível nacional que facilite a vida de quem quer comprar, vender, contratar, aprender e se inspirar nesta nova forma de viver.
Além de conectar agentes da transformação, que outras funcionalidades a plataforma oferece?
A ideia é nos tornarmos uma rede social e um portal de notícias regenerativas, valorizando ideias e iniciativas convergentes com a proposta do Instituto Regenera Hub.
Como é feita a curadoria dos conteúdos e perfis presentes no Regenera Brasília?
A curadoria é feita por uma equipe interdisciplinar, que avalia os agentes que nos procuram, levando em consideração os nossos princípios e objetivos. Como citado anteriormente o segmento da empresa ou projeto já diz muito sobre sua natureza.
Que tipo de impacto vocês já estão observando desde o lançamento da plataforma?
A conexão entre agentes de mudança. Além disso nós já somos bem ranqueados pelo Google, em primeiro lugar, quando o assunto é sustentabilidade e regeneração em Brasília. Também temos tido mais adesão de empreendimentos à plataforma e estamos planejando a realização do festival em outras cidades, inclusive buscando patrocínio e parcerias para esta ampliação.
Há alguma história inspiradora de conexão ou transformação que surgiu graças ao Regenera Brasília?
A equipe que hoje coordena o Instituto Regenera Hub é um exemplo de conexão. Com perfis diversos e complementares, se uniu a partir do mesmo propósito, durante a realização da última edição do Festival Regenera Brasília. Somos nós: Alisson Sindeaux, músico regenerativo e publicitário; João Guilherme Melillo, educador físico e empreendedor; Maria Cleudes Pessoa, assistente social e produtora cultural; Cris Cantarino, multiartista e produtor cultural; Enza Lainne, psicóloga e terapeuta; Cícera Suzana, especialista em Licitações e Contratos; Flávio Resende, comunicador e estrategista em Construção de Imagem Organizacional; e Priscila Coser, mentora e consultora de Regeneração e Sustentabilidade.
Como a plataforma ajuda o público a acessar produtos e serviços realmente sustentáveis e confiáveis?
Criando esse mapeamento, por meio da curadoria inicial, que prioriza projetos, espaços, produtos e serviços que trazem coerência entre o que ofertam e fazem na prática.
Que mudanças de comportamento vocês esperam promover na população de Brasília?
Acreditamos que a ampliação da consciência é o ponto de partida para a mudança de comportamento.
O que vocês aprenderam sobre o ecossistema regenerativo de Brasília?
Que ele é complexo, diverso e abundante. Brasília já possui um ecossistema forte em sustentabilidade, saúde e bem estar, consumo consciente e Economia regenerativa de uma forma geral. É preciso unir e fortalecer essas iniciativas para que elas ganhem cada vez mais espaços e ampliem seus públicos.
Como vocês imaginam Brasília futuramente caso a cultura regenerativa ganhe força?
Acreditamos que quanto mais pessoas compreenderem a responsabilidade que cada um tem sobre essas crises humanas, conseguiremos criar não só em Brasília, mas em todos os lugares que entenderem esta lógica farão grandes mudanças na sociedade, seguirão prósperas em equilíbrio social, ambiental e econômico.
Qual é o grande sonho do Regenera Brasília?
Viver numa sociedade que respeite e mantenha o equilíbrio dos biomas, priorizando a equidade, o bem estar social, a busca pelo autoconhecimento e a harmonia entre os seres que habitam a Terra.









